A filha de Jefté, cujo nome a Escritura não conserva, era a única descendência do juiz galaadita. Antes de partir para a batalha contra os amonitas, Jefté fez a Deus um voto imprudente: se voltasse vitorioso, consagraria ao Senhor o primeiro que saísse de sua casa ao seu encontro. Quando regressou triunfante, foi justamente sua única filha quem saiu a recebê-lo com tamborins e danças, alegrando-se pela vitória do pai. Diante dela, Jefté rasgou as vestes em desespero, mas sentiu-se preso pelo voto que pronunciara.
A jovem demonstra grandeza de alma e fé madura: aceita o destino que o voto do pai lhe impôs e pede apenas dois meses para chorar pelos montes a sua virgindade, junto com as companheiras. A Escritura registra que dali nasceu o costume das filhas de Israel de saírem anualmente para lamentar a filha de Jefté por quatro dias. A Tradição cristã sempre leu este episódio com sobriedade, vendo nele uma severa advertência contra os votos temerários e contra qualquer forma de culto que se afaste da vontade revelada de Deus, que reprova o sacrifício humano. A figura silenciosa e dócil desta jovem tornou-se, na piedade, símbolo da inocência sacrificada e da dignidade que resplandece mesmo na injustiça sofrida.
