Antônio Félix foi procurador romano da Judeia em meados do século I, conhecido pela ambição e pela falta de escrúpulos. Quando Paulo, preso em Jerusalém, foi enviado a Cesareia para escapar de uma conspiração, coube a Félix julgar a sua causa. Embora reconhecesse que não havia crime que justificasse a condenação do apóstolo, manteve-o preso para agradar aos judeus e, sobretudo, na esperança de receber suborno em troca de sua libertação (At 24,26).
A Escritura registra um momento revelador: Félix, acompanhado de sua esposa Drusila, chamou Paulo para ouvi-lo falar da fé em Cristo. Mas quando o apóstolo discorreu sobre a justiça, o domínio de si e o juízo vindouro, Félix encheu-se de temor e o despediu, dizendo que o chamaria "em ocasião oportuna" (At 24,25) - ocasião que nunca chegou. Após dois anos, deixou o cargo e, querendo ainda agradar aos judeus, abandonou Paulo na prisão. Félix encarna o homem que ouve a verdade, se comove diante dela, mas adia indefinidamente a conversão, prendendo-se aos próprios interesses; sua indecisão tornou-se ocasião para que Paulo, apelando a César, levasse o Evangelho até Roma.
