O Faraó do Êxodo é o soberano do Egito que, esquecido do bem que José fizera ao país, vê com temor o crescimento dos hebreus e os reduz à escravidão, impondo-lhes trabalhos forçados e ordenando a morte dos meninos recém-nascidos. É contra essa opressão que Deus suscita Moisés e Arão, enviando-os a exigir do rei: "Deixa partir o meu povo, para que me sirva no deserto".
Diante das dez pragas, o Faraó torna-se a figura bíblica da resistência obstinada à vontade de Deus. Repetidas vezes a Escritura diz que ele "endureceu o coração", e também que "o Senhor endureceu o coração do faraó" — expressão que a Tradição entende não como Deus forçando o pecado, mas como o juízo divino que entrega o ímpio à dureza por ele mesmo escolhida. Mesmo após a Páscoa e a morte dos primogênitos, ele persegue Israel até o Mar Vermelho, onde seu exército é tragado pelas águas. O Faraó permanece, na memória de Israel e na leitura cristã, como símbolo do poder humano que se opõe a Deus e da escravidão da qual só a libertação divina, prefiguração da redenção em Cristo, pode resgatar.
