Ezequias foi rei de Judá no final do século VIII a.C., filho do ímpio Acaz, mas, ao contrário do pai, é apresentado pelas Escrituras como um dos mais piedosos reis da casa de Davi. Subindo ao trono, empreendeu uma grande reforma religiosa: removeu os altos lugares idolátricos, destruiu as colunas sagradas e até a serpente de bronze que se tornara objeto de culto supersticioso, purificou o Templo e restaurou a celebração da Páscoa, conduzindo o povo de volta ao culto puro do Senhor, no qual depositou toda a sua confiança.
Durante seu reinado, o poderoso exército assírio de Senaqueribe cercou Jerusalém, e o comandante inimigo blasfemou contra o Deus de Israel. Ezequias, em vez de capitular, foi ao Templo, estendeu diante do Senhor a carta ameaçadora e orou com humilde confiança. Por meio do profeta Isaías, Deus prometeu salvar a cidade, e nessa mesma noite o anjo do Senhor feriu o acampamento assírio, livrando Jerusalém sem que uma flecha fosse disparada contra ela. Mais tarde, adoecendo mortalmente, Ezequias orou com lágrimas e o Senhor acrescentou quinze anos à sua vida, dando-lhe como sinal o recuo da sombra no relógio solar.
A figura de Ezequias ensina o poder da oração confiante e a fidelidade de Deus para com aqueles que a Ele se entregam de coração inteiro. Seu nome aparece na genealogia de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus, integrando-se assim à linhagem davídica da qual nasceria o Messias, o Rei eterno cuja salvação não conhece cerco nem fim.
