Eva é a primeira mulher, formada por Deus do lado de Adão para ser sua companheira de igual dignidade. O relato do Gênesis mostra que, vendo o homem sozinho, Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele" (Gênesis 2,18). Modelando-a a partir da costela de Adão, fez com que o homem reconhecesse nela sua própria carne: "Esta sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne" (Gênesis 2,23). Recebeu o nome de Eva, isto é, "mãe de todos os viventes" (Gênesis 3,20), porque dela procederia toda a humanidade.
No paraíso, Adão e Eva viviam em comunhão com Deus, entre si e com a criação, na inocência original. A eles foi confiada a tarefa de cultivar e guardar o jardim e de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas a serpente seduziu Eva, insinuando a desconfiança em Deus e a promessa enganosa de que seriam "como deuses" (Gênesis 3,5). Ela comeu do fruto e deu também a Adão, que com ela estava; assim, pela desobediência, entrou no mundo o pecado e, com ele, a morte, a vergonha, o sofrimento e a ruptura da harmonia original.
O momento decisivo de sua história é, portanto, a queda, mas nela já brilha a esperança. No mesmo instante em que pronuncia a sentença, Deus anuncia a vitória futura: dirigindo-se à serpente, declara que porá inimizade entre ela e a mulher, entre a descendência de ambas, e que essa descendência lhe esmagará a cabeça (Gênesis 3,15). É o chamado Protoevangelho, a primeira boa-nova da redenção, semente de toda a esperança messiânica. Eva, mãe dos viventes segundo a carne, prefigura aquela que será Mãe dos viventes segundo a graça.
Na leitura da Tradição católica, a figura de Eva é redimida em Maria, a Nova Eva. Como ensinam os Padres, o que a primeira mulher amarrou pela incredulidade, a Virgem desatou pela fé: à desobediência de Eva, que trouxe a morte, corresponde a obediência de Maria, que acolheu o Autor da vida. Assim, da mesma forma que de um homem, o novo Adão, veio a redenção, de uma mulher, a Nova Eva, veio o Salvador ao mundo. A história começada com a queda no jardim encontra sua resposta no jardim da ressurreição.
A vida de Eva é uma palavra séria e consoladora ao mesmo tempo. Ela adverte sobre como o pecado nasce da desconfiança em Deus e da escuta da voz do enganador, e como nos faz buscar fora de Deus aquilo que só n'Ele se encontra. Mas também ensina que, mesmo na queda, Deus não abandona o ser humano: promete e prepara a salvação. Em Eva e Maria, a Igreja contempla todo o arco da história humana, da perda do paraíso à esperança da vida nova em Cristo.
