Eúde, filho de Gera, da tribo de Benjamim, foi um dos juízes que Deus suscitou para libertar Israel nos tempos anteriores à monarquia, quando o povo, após pecar, caía sob a opressão de nações vizinhas (Jz 3,12-30). A Escritura o apresenta como homem canhoto, detalhe decisivo na sua façanha. Israel estava subjugado havia dezoito anos por Eglon, o rei de Moabe, e clamou ao Senhor, que ouviu seu pedido e o enviou como libertador. Levando um punhal de dois gumes oculto na coxa direita, escapando assim à vigilância, Eúde aproximou-se de Eglon a pretexto de uma mensagem secreta e o matou no seu próprio aposento. Em seguida, reuniu os israelitas, derrotou os moabitas, e a terra teve oitenta anos de paz.
O episódio, embora marcado pela rudeza dos tempos dos juízes, insere-se no ritmo que a história sagrada repete: o pecado leva à servidão, o clamor a Deus obtém a libertação, e a paz dura enquanto o povo permanece fiel. Eúde figura, pois, entre os instrumentos pelos quais o Senhor, fiel à sua aliança, salva Israel e prepara, ao longo dos séculos, a vinda do Libertador definitivo, Jesus Cristo, que liberta não de inimigos terrenos, mas do pecado e da morte.
