Santo Estêvão foi um dos sete homens escolhidos pelos Apóstolos na primeira comunidade de Jerusalém para o serviço das mesas, a fim de atender com equidade às viúvas de língua grega; por isso é venerado como o primeiro dos diáconos. A Escritura o descreve como homem cheio de fé e do Espírito Santo, repleto de graça e poder, que realizava grandes prodígios e sinais entre o povo. Sua sabedoria era de tal modo irresistível que os adversários, incapazes de resistir ao Espírito que falava por ele, recorreram à calúnia e o arrastaram ao Sinédrio sob falsas acusações.
Diante do tribunal, Estêvão proferiu um longo e corajoso discurso, percorrendo toda a história da salvação, de Abraão a Moisés e ao Templo, para mostrar como o povo resistira repetidamente ao Espírito de Deus e culminara rejeitando o Justo, Jesus Cristo. Ao concluir, cheio do Espírito Santo, contemplou os céus abertos e o Filho do Homem de pé à direita de Deus, visão que enfureceu seus acusadores. Arrastado para fora da cidade, foi apedrejado, tornando-se o primeiro mártir, o protomártir da Igreja.
Em seus últimos momentos, Estêvão configurou-se inteiramente a Cristo: entregou o espírito ao Senhor Jesus, como o Mestre se entregara ao Pai, e de joelhos clamou em alta voz, pedindo o perdão para os que o matavam, ecoando o perdão pronunciado na cruz. As testemunhas depositavam suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo, que consentia em sua morte — o mesmo que, transformado pela graça, se tornaria o Apóstolo Paulo. Assim, o sangue do protomártir foi semente fecunda, e sua morte tornou-se imagem viva da vitória cristã que vence o ódio com o amor.
