Ester, cujo nome hebraico era Edissa, era uma jovem judia órfã de pai e mãe, criada por seu primo Mardoqueu, da tribo de Benjamim, entre os exilados do povo de Israel na Pérsia. Bela e graciosa, foi levada ao palácio do rei Assuero (Xerxes) e, dentre muitas mulheres, foi escolhida para ser rainha, ocupando o lugar da rainha Vasti, deposta. Por conselho de Mardoqueu, Ester manteve em segredo sua origem judaica, guardando no coração tanto a sua fé quanto a sua identidade, enquanto vivia em meio à corte de um vasto império.
O drama de sua história começou quando Amã, o poderoso ministro do rei, ferido em seu orgulho porque Mardoqueu não se curvava diante dele, obteve do rei um decreto para exterminar todos os judeus do império em um único dia (Est 3). Diante da ameaça de genocídio, Mardoqueu suplicou a Ester que intercedesse junto ao rei, dirigindo-lhe as palavras decisivas: "Quem sabe se não chegaste ao trono precisamente para um momento como este?" (Est 4,14). Ester compreendeu que sua posição era um chamado de Deus e aceitou o risco, pois aproximar-se do rei sem ser convocada podia significar a morte.
Antes de agir, porém, Ester não confiou em suas próprias forças, mas recorreu à oração e ao jejum: pediu que todos os judeus jejuassem três dias e noites com ela, e ela mesma se prostrou diante de Deus em humilde súplica, despindo-se de seus ornamentos reais e clamando ao Senhor que socorresse seu povo e pusesse em sua boca as palavras certas (Est 4,16; e nas partes gregas do livro, a comovente oração de Ester). Fortalecida pela graça, apresentou-se ao rei, que a acolheu com favor, e com prudência e coragem desmascarou Amã num banquete, revelando o plano contra seu povo e sua própria condição de judia. O resultado foi a queda de Amã e a salvação dos judeus, comemorada até hoje na festa de Purim (Est 9).
Na história da salvação, Ester resplandece como modelo da intercessão eficaz que nasce da oração, do jejum e da entrega total. A Tradição católica vê nela uma das mais belas figuras de Maria Santíssima: como Ester era rainha junto ao rei e por sua intercessão obteve a salvação de seu povo, assim Maria é a Rainha que, junto a Cristo Rei, intercede pelos filhos da Igreja e esmaga, com sua humildade, o orgulho do inimigo. O favor que o rei concedia a Ester estendendo-lhe o cetro evoca a confiança com que podemos recorrer à mediação materna de Maria diante de Deus.
A palavra espiritual de Ester nos ensina que Deus nos coloca em determinado lugar e tempo com um propósito, e que cada um de nós pode ter sido chamado "para um momento como este". Ela nos mostra que a verdadeira coragem não se apoia na própria força, mas se prepara na oração e no jejum, e que a beleza maior de uma alma está na disponibilidade de arriscar-se pelo bem dos outros. Ester convida cada fiel a interceder pelos irmãos, confiando que Deus age através daqueles que se entregam por amor.
