A Esposa do Cordeiro é uma das imagens mais sublimes do Apocalipse de São João, na qual a Igreja gloriosa é apresentada como a Nova Jerusalém, a santa cidade que desce do céu, da parte de Deus, adornada como noiva enfeitada para o seu esposo. Esta visão coroa toda a história da salvação, pois recolhe e leva à plenitude as imagens nupciais que percorrem a Escritura, desde os profetas que cantavam a aliança de Deus com Israel como um casamento, até São Paulo, que descreve Cristo como o esposo que se entregou pela Igreja para a santificar.
O Cordeiro é o próprio Cristo, imolado e ressuscitado, e sua Esposa é a comunidade dos redimidos, lavados em seu sangue e reunidos de toda tribo, língua, povo e nação. As bodas do Cordeiro representam a comunhão definitiva e eterna entre Deus e a humanidade salva, a consumação do amor esponsal pelo qual o Filho de Deus se uniu para sempre à sua Igreja. A Nova Jerusalém, sem templo porque o Senhor Deus e o Cordeiro são o seu templo, é iluminada pela glória de Deus e nela não há mais lágrima, nem luto, nem morte.
A Tradição católica contempla nesta Esposa tanto a Igreja em sua perfeição escatológica quanto, de modo eminente, a Virgem Maria, figura e mãe da Igreja, que antecipa em si a glória prometida a todos os santos. Esta imagem nos convida a viver na esperança da pátria celeste, onde a comunhão com Deus será plena e nupcial, e onde o desejo de toda criatura encontrará seu repouso definitivo no abraço eterno do amor divino.