Elifaz, o temanita, é o primeiro e provavelmente o mais idoso dos três amigos de Jó que vêm visitá-lo em sua aflição. Originário de Temã, região de Edom célebre por seus sábios, Elifaz representa a voz da sabedoria tradicional e da chamada teologia da retribuição: a convicção de que a desgraça é sempre castigo do pecado, e a prosperidade, recompensa da justiça. Após sete dias de silêncio compassivo ao lado de Jó, é ele quem inicia os discursos, apelando inclusive a uma visão noturna e a um sussurro recebido na vigília para sustentar que nenhum homem é puro diante de Deus.
Ao longo dos três ciclos de diálogo, Elifaz insiste, com crescente dureza, que Jó deve ter cometido algum pecado oculto que justifique seu sofrimento, chegando a inventar acusações concretas de injustiça contra os pobres. Sua teologia, embora contenha frases verdadeiras sobre a grandeza de Deus, falha por aplicar mecanicamente o esquema da retribuição ao mistério do justo que sofre. Por isso, no final do livro, o Senhor se dirige a Elifaz e o repreende, junto com seus dois companheiros, declarando que não falaram dele com retidão como o fez Jó, seu servo, e ordena que ofereçam holocaustos e peçam a Jó que interceda por eles. Assim, Elifaz aprende que diante do mistério do sofrimento humano a sabedoria verdadeira é a humildade, que só plenamente se ilumina na Cruz de Cristo, o Justo que sofre por nós.