Elias, o tesbita, era natural de Galaad e surge na Escritura de modo abrupto e poderoso, em pleno reinado de Acab, sobre o reino do norte de Israel. Era um tempo de grave apostasia: o rei, casado com a fenícia Jezabel, promovera o culto de Baal e perseguia os profetas do Senhor. Elias apareceu diante de Acab anunciando, em nome do Deus vivo, que não cairia chuva nem orvalho senão por sua palavra, e a seca abateu-se sobre a terra. Escondido junto à torrente de Querit, foi alimentado por corvos; depois, em Sarepta, multiplicou a farinha e o azeite da viúva e ressuscitou o filho dela, manifestando que o Senhor é o Deus da vida.
O momento mais célebre de sua vida foi o desafio no monte Carmelo. Diante de todo o povo e dos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, Elias propôs uma prova: que cada parte preparasse um sacrifício, e o Deus que respondesse pelo fogo seria reconhecido como o verdadeiro. Os profetas de Baal clamaram em vão o dia inteiro. Então Elias reconstruiu o altar do Senhor, mandou derramar água sobre a oferta e orou; e o fogo do céu desceu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras e até a água. O povo prostrou-se exclamando: 'O Senhor é Deus!' Diante daquela manifestação, Elias havia interpelado a todos: 'Até quando claudicareis para os dois lados?' (1Rs 18,21).
Após o triunfo, porém, veio a provação. Perseguido de morte pela rainha Jezabel, Elias fugiu para o deserto, desanimado a ponto de pedir a morte. Um anjo o alimentou, e ele caminhou quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, o Sinai. Ali Deus se revelou não no vento impetuoso, nem no terremoto, nem no fogo, mas numa brisa suave e silenciosa, ensinando o profeta a reconhecer a presença delicada de Deus. Confortado, Elias recebeu nova missão e a ordem de ungir Eliseu como seu sucessor, lançando sobre ele o seu manto.
O fim terreno de Elias foi singular: não conheceu a morte comum, mas foi arrebatado ao céu num redemoinho, num carro de fogo com cavalos de fogo, enquanto Eliseu contemplava e recebia o dobro de seu espírito. Por esse arrebatamento, a tradição judaica e a Escritura passaram a esperar o retorno de Elias antes do dia do Senhor (cf. Ml 3,23). O Novo Testamento vê esse anúncio cumprido em São João Batista, que veio 'no espírito e no poder de Elias' preparar o caminho do Messias. E no monte da Transfiguração, Elias aparece ao lado de Moisés conversando com Jesus, representando os Profetas que dão testemunho de Cristo.
A vida de Elias é um chamado ao zelo pela glória de Deus num mundo de meias-fidelidades. Ele nos interpela a deixar de 'claudicar para os dois lados' e a escolher resolutamente o Senhor. Mas ensina também que mesmo o profeta de fogo conhece o cansaço e o medo, e que Deus não despreza o desânimo: alimenta, conforta e fala ao coração não pelo estrondo, mas pelo silêncio. A Ordem do Carmelo reconhece em Elias seu inspirador, e dele aprende a viver na presença do Deus vivo, 'diante de quem estou'.
