As duas testemunhas surgem na visão do Apocalipse como figuras misteriosas e poderosas, descritas como "as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor da terra" (Ap 11,4), imagem que evoca a profecia de Zacarias. Revestidas de saco, profetizam por mil duzentos e sessenta dias, e seus traços recordam os dois maiores profetas de Israel: como Elias, fecham o céu para que não chova; como Moisés, têm poder de transformar as águas e ferir a terra com pragas. Representam, assim, a Lei e os Profetas que dão testemunho de Deus diante de um mundo idólatra e hostil.
Quando completam seu testemunho, a Besta que sobe do abismo as mata, e seus corpos jazem expostos na praça da grande cidade, enquanto os habitantes da terra se alegram com sua morte. Mas, após três dias e meio, o sopro de vida de Deus entra nelas e elas se erguem, sendo arrebatadas ao céu à vista de seus inimigos, num claro reflexo da Paixão e Ressurreição de Cristo. A Tradição católica vê nas duas testemunhas a figura do testemunho profético da Igreja perseguida ao longo da história, chamada ao martírio mas destinada à vitória; alguns Padres as associaram a Henoc e Elias. Elas proclamam que a fidelidade ao Evangelho pode custar a vida, mas que a última palavra pertence sempre à ressurreição.