O Dragão é a figura com que o Apocalipse retrata Satanás em todo o seu poder hostil. São João o vê como um grande dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres e sete diademas, cuja cauda arrasta consigo a terça parte das estrelas do céu, imagem dos anjos arrastados em sua rebelião. O próprio texto sagrado o identifica sem ambiguidade: 'a antiga serpente, chamada Diabo e Satanás, que seduz todo o mundo', ligando-o assim ao tentador do Éden e a todo o mistério do mal que percorre a história.
Na visão da Mulher revestida de sol, o Dragão posta-se diante dela para devorar o filho que ela vai dar à luz, mas a criança, que há de governar todas as nações, é arrebatada para junto de Deus. Travado o combate no céu, Miguel e seus anjos vencem o Dragão, e ele é precipitado por terra, passando então a perseguir a Mulher e a sua descendência, isto é, a Igreja e os que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus. Sua fúria é grande, pois sabe que lhe resta pouco tempo.
O sentido último dessa figura é profundamente esperançoso: por mais terrível que pareça, o Dragão já está derrotado. Os fiéis o venceram 'pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho', e na Parusia ele será definitivamente lançado no abismo e no lago de fogo. A vitória de Cristo na Cruz e na Ressurreição é o golpe decisivo; o Apocalipse apenas desdobra suas consequências, garantindo à Igreja perseguida que o mal não terá a última palavra e que o Cordeiro reinará para sempre.