"Aquele que está sentado no trono" é, no Apocalipse, uma das mais veneráveis designações de Deus Pai, o Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra e Juiz de todos os vivos e mortos. São João é arrebatado em espírito e contempla a liturgia celeste: um trono posto no céu, e Aquele que nele está assentado, semelhante na aparência ao jaspe e à sardônica, cercado de um arco-íris como esmeralda, diante de quem os vinte e quatro anciãos prostram suas coroas e os seres celestes proclamam sem cessar: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, que era, que é e que há de vir" (Apocalipse 4,8). Ele é adorado como princípio e fim de todas as coisas, fonte de toda criação, pois por sua vontade tudo existe e foi criado.
Na visão do Cordeiro, o Pai entronizado entrega ao Filho o livro selado, manifestando que toda a história é conduzida pela soberania divina e cumprida na obra redentora de Cristo, o Cordeiro imolado e vivo, que partilha do mesmo trono e da mesma adoração. No Juízo Final, diante de seu rosto fogem o céu e a terra, e os mortos são julgados segundo suas obras, abrindo-se o livro da vida (Apocalipse 20,11-12). Esse mesmo Deus consuma sua aliança quando faz descer a Nova Jerusalém e proclama: "Eis que faço novas todas as coisas" (Apocalipse 21,5), enxugando toda lágrima dos olhos e dando gratuitamente da fonte da água da vida.
A fé católica adora neste "que está sentado no trono" a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, na unidade indivisível com o Filho e o Espírito Santo. Sua realeza não é tirania, mas providência amorosa que tudo ordena ao bem; sua justiça não exclui a misericórdia, mas a coroa, pois o mesmo Deus que julga é o que habita com os homens e os faz seus filhos. A liturgia celeste descrita por João é o modelo de toda adoração da Igreja, que já antecipa na terra, sobretudo na Eucaristia, o cântico eterno do "Santo, Santo, Santo" diante do trono da glória.
