Deus é o único Senhor, eterno e onipotente, que no princípio criou os céus e a terra (Gn 1,1). A fé católica confessa que Ele fez todas as coisas do nada, não por necessidade, mas por livre amor e sabedoria, ordenando o universo pela força de sua Palavra: "Disse Deus: Faça-se a luz, e a luz foi feita" (Gn 1,3). Sobre as águas pairava o seu Espírito, de modo que toda a obra criadora é já manifestação do Deus que, na plenitude da Revelação, se dará a conhecer como Pai, Filho e Espírito Santo. Ao homem e à mulher, criados à sua imagem e semelhança, confiou a criação e os destinou à comunhão com Ele no Paraíso.
Quando o homem, tentado, quebrou a aliança original pelo pecado, Deus não abandonou sua criatura: já no juízo sobre a serpente anunciou a vitória da descendência da mulher (Gn 3,15), o chamado Protoevangelho, primeira promessa do Redentor. Na história de Caim e Abel, dos patriarcas antediluvianos e de Noé, o justo que Ele salvou do Dilúvio, revela-se um Deus que pune o pecado mas conserva sempre um resto fiel. Após as águas, firma a aliança do arco-íris com Noé e com toda a criação, prometendo nunca mais destruir a terra pelo dilúvio (Gn 9,12-16), sinal de sua fidelidade e misericórdia.
Assim, desde a criação, Deus conduz a história rumo à salvação. As alianças sucessivas — com Noé, Abraão, Moisés e Davi — preparam a Aliança definitiva selada no sangue de Cristo, o Verbo pelo qual todas as coisas foram feitas (Jo 1,3) e no qual a criação é renovada. O Criador do princípio é também o Redentor e o consumador, que tudo recapitula em seu Filho, para que ao fim Deus seja tudo em todos.