Demétrio era um ourives de Éfeso, mestre artesão que fabricava pequenos templos de prata da deusa Ártemis (a Diana dos romanos), cujo grande santuário era uma das maravilhas do mundo antigo e o coração econômico e religioso da cidade. Esses objetos votivos eram vendidos a peregrinos e devotos, gerando lucros consideráveis para Demétrio e para os outros artífices da corporação.
Quando a pregação de São Paulo, durante a terceira viagem missionária, levou muitos a abandonar o culto dos ídolos, Demétrio reuniu os companheiros de ofício e, misturando interesse comercial e fervor pagão, incitou o tumulto que encheu o teatro de Éfeso aos gritos de 'Grande é a Ártemis dos efésios!' (At 19,28). O episódio revela como o Evangelho ameaçava não apenas as crenças, mas os interesses econômicos enraizados na idolatria. Demétrio permanece como advertência perene de que o coração apegado ao lucro pode resistir à verdade que liberta, ainda que, na narrativa, a confusão seja por fim contida pelo secretário da cidade.