O Cordeiro é uma das mais luminosas imagens com que a Sagrada Escritura designa Jesus Cristo. Ela tem raízes no cordeiro pascal, cujo sangue libertou Israel da escravidão do Egito, e no Servo sofredor anunciado por Isaías, que foi conduzido como ovelha ao matadouro. João Batista, ao ver Jesus, proclamou: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, indicando que Cristo é a verdadeira vítima que reconcilia a humanidade com o Pai pelo seu sacrifício na cruz.
No Apocalipse, o vidente contempla, no meio do trono, um Cordeiro de pé, como que imolado, tendo sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra. O fato de estar de pé, embora portando as marcas da imolação, revela o mistério pascal: o Cordeiro foi morto, mas vive e reina vitorioso. Os sete chifres significam a plenitude do seu poder e os sete olhos, a plenitude do seu conhecimento e da sua presença. Só Ele é digno de receber o livro e de abrir os seus sete selos, porque com seu sangue resgatou para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação.
Ao longo do Apocalipse, o Cordeiro é o centro da história: à sua ira os ímpios não podem resistir, mas os que lavaram suas vestes no seu sangue são por Ele conduzidos às fontes de água viva. Por fim, Ele é apresentado como o Esposo, e a Igreja, como a noiva, celebrando as bodas do Cordeiro na Nova Jerusalém, onde Ele mesmo é o templo e a luz da cidade. Assim, a imagem do Cordeiro une a humildade da vítima imolada ao triunfo do Senhor glorioso, e é Ele quem a Igreja contempla em toda Eucaristia, repetindo: Eis o Cordeiro de Deus.