Cam foi um dos três filhos de Noé, ao lado de Sem e Jafé, e atravessou com a família a arca durante o Dilúvio, sendo assim um dos oito sobreviventes pelos quais Deus recomeçou a humanidade (cf. Gn 7,13). Salvo das águas, foi também herdeiro da Aliança do arco-íris, sinal da misericórdia divina que prometeu nunca mais destruir a terra pelas águas.
Depois do Dilúvio, porém, Cam manchou-se ao ver a nudez de seu pai embriagado e, em vez de cobri-lo com respeito, foi contá-lo a seus irmãos, que cobriram Noé andando de costas para não o expor (cf. Gn 9,20-23). Por esse ato de desonra, Noé amaldiçoou não diretamente Cam, mas seu filho Canaã, condenando-o a ser servo dos servos de seus irmãos. Segundo a Tábua dos Povos do Gênesis, Cam é apresentado como ancestral de povos do Egito (Misraim), de Cuxe (a região etíope/africana), de Pute e de Canaã (cf. Gn 10,6). A Tradição vê nessa narrativa não uma condenação de raças, mas uma lição sobre o respeito devido aos pais e sobre como o pecado projeta sombras sobre as gerações, embora cada pessoa permaneça responsável diante de Deus.
