José Caifás foi sumo sacerdote dos judeus durante o ministério público e a Paixão de Jesus, genro de Anás e figura de grande poder no Sinédrio de Jerusalém. Após a ressurreição de Lázaro, diante do temor de que muitos cressem em Jesus e dos riscos políticos perante Roma, foi Caifás quem pronunciou, no conselho, a sentença que se tornaria célebre: "Convém que morra um só homem pelo povo, e não que pereça toda a nação" (João 11,50). O evangelista João observa que ele não disse isso por si mesmo, mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou sem o saber que Jesus haveria de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas para reunir na unidade os filhos de Deus dispersos.
Na noite da prisão, Jesus foi conduzido à casa de Caifás, onde se reuniram os sumos sacerdotes, os anciãos e os escribas. Buscando falsos testemunhos para condená-lo, Caifás afinal interrogou-o solenemente, conjurando-o pelo Deus vivo a dizer se era o Cristo, o Filho de Deus. Diante da resposta afirmativa do Senhor, que se declarou o Filho do Homem que viria sobre as nuvens do céu, o sumo sacerdote rasgou suas vestes e declarou-o réu de blasfêmia, digno de morte (Mateus 26,63-66). Assim, aquele que deveria oferecer os sacrifícios do antigo culto condenou, sem o compreender, o verdadeiro Cordeiro de Deus. A Tradição vê nessa cena o paradoxo da Providência: pela boca do sumo sacerdote infiel, Deus anunciou que a morte de Cristo seria sacrifício redentor por todos, encerrando o sacerdócio antigo e inaugurando o sacerdócio eterno de Cristo.
