Bildad de Suá é o segundo dos três amigos que vêm consolar Jó em sua provação, ao lado de Elifaz de Temã e Sofar de Naamá. Provavelmente descendente de Suá, filho de Abraão e Cetura, representa a voz da tradição ancestral. Em seus discursos, apela à sabedoria dos antigos e às lições herdadas dos pais, sustentando o princípio de que Deus não perverte a justiça nem o Todo-Poderoso torce o direito (cf. Jó 8,3). Para ele, se os filhos de Jó pereceram, foi por causa de seus pecados, e se Jó é íntegro, Deus haverá de restaurá-lo.
Bildad exorta Jó ao arrependimento e à confiança, prometendo-lhe que, voltando-se para Deus, sua morada se tornará próspera e sua boca se encherá de risos. Contudo, sua teologia, embora contenha verdades sobre a justiça divina, falha por aplicar rigidamente a doutrina da retribuição, supondo que todo sofrimento seja castigo de culpa. No fim do livro, o Senhor repreende Bildad e os companheiros por não terem falado retamente a respeito dele, como o fizera Jó, e exige que ofereçam sacrifício e sejam intercedidos pelo próprio justo sofredor (cf. Jó 42,7-9). Sua figura ensina o limite das certezas humanas diante do mistério da dor do inocente, que só encontrará plena luz em Cristo crucificado.