A Besta que sobe do mar é uma das figuras centrais das visões do Apocalipse de São João. Dotada de sete cabeças e dez chifres, com diademas e nomes blasfemos, ela reúne em si os traços das quatro feras da profecia de Daniel e recebe do Dragão, isto é, de Satanás, o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Uma de suas cabeças aparece como ferida de morte, mas curada, suscitando a admiração e a adoração idólatra de toda a terra, que se prostra tanto diante do Dragão quanto da Besta, exclamando: 'Quem é semelhante à Besta e quem poderá lutar contra ela?' (Apocalipse 13,4).
À Besta é concedido fazer guerra aos santos e vencê-los, exercendo domínio sobre todo povo, tribo e nação durante um tempo determinado, exigindo culto e impondo sua marca. Na leitura tradicional da Igreja, ela representa o poder político que se diviniza e se ergue contra Deus, encarnado de modo concreto no Império romano perseguidor que divinizava o imperador e martirizava os cristãos. De modo mais amplo, simboliza toda potência terrena que, instrumentalizada pelo maligno, persegue os fiéis e usurpa a adoração devida somente a Deus.
O Apocalipse, porém, anuncia o seu fim certo: nas visões das sete taças e da queda da Babilônia, e sobretudo na Parusia, o Cordeiro vitorioso, o Cristo glorioso, derrota a Besta e o falso profeta, que são lançados no lago de fogo (Ap 19,20). Assim, a Besta do mar permanece como advertência sobre a sedução do poder idólatra e, ao mesmo tempo, como anúncio confiante de que toda tirania terá fim diante da vitória definitiva de Cristo, Senhor dos senhores.