Balaão, filho de Beor, era um adivinho de renome originário de Petor, junto ao rio Eufrates, procurado por sua suposta capacidade de abençoar e amaldiçoar. Quando Israel acampava nas planícies de Moab, a caminho da terra prometida, Balac, rei de Moab, temeroso da multidão dos israelitas, contratou Balaão para que os amaldiçoasse. Deus, porém, advertiu o adivinho de que não maldissesse aquele povo, pois era abençoado. No caminho, a célebre passagem da jumenta, que viu o anjo do Senhor de espada em punho e falou por intervenção divina, revelou a Balaão a soberania de Deus sobre seus planos.
Por três vezes Balac levou Balaão a contemplar Israel para amaldiçoá-lo, mas a cada vez o Espírito de Deus tomava conta dele e, em vez de maldição, brotava de seus lábios bênção e profecia. Foi nessa ocasião que pronunciou um dos mais célebres oráculos messiânicos do Antigo Testamento: "Uma estrela procede de Jacó, e um cetro se levanta de Israel", anúncio que a tradição cristã contempla cumprido em Cristo, a estrela da manhã, prefigurada também na estrela que guiou os Magos até Belém. Apesar disso, a memória posterior das Escrituras adverte contra o mau conselho de Balaão, que induziu Israel ao pecado, fazendo de sua figura tanto um sinal de que Deus pode falar até por meio dos relutantes quanto uma advertência contra a ganância e a infidelidade.
