A grande Babilônia é, no livro do Apocalipse, uma figura simbólica e não apenas uma cidade histórica. São João a contempla como uma grande meretriz, sentada sobre muitas águas e montada numa Besta escarlate cheia de nomes blasfemos, vestida de púrpura e escarlate, ornada de ouro e pedras preciosas, segurando uma taça cheia de abominações (Ap 17). Em sua fronte está escrito um nome misterioso: Babilônia, a grande, a mãe das prostituições e das abominações da terra. Ela está embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus, isto é, dos mártires.
O nome evoca a antiga Babilônia, que destruiu Jerusalém e deportou o povo de Deus, tornando-se na Escritura o emblema de toda potência orgulhosa, idólatra e perseguidora. Para os primeiros cristãos, ela representava sobretudo a Roma imperial pagã, cidade das sete colinas, que se embriagava do sangue dos cristãos; mais amplamente, simboliza todo poder humano que se diverte na idolatria, na injustiça e na opulência soberba, opondo-se a Deus e seduzindo os povos.
O Apocalipse anuncia solenemente sua queda: Caiu, caiu a grande Babilônia (Ap 18,2). Em contraste com a meretriz, surge a Jerusalém celeste, a Esposa do Cordeiro, cidade santa que desce do céu. Assim, a queda da Babilônia proclama que todo império fundado na soberba e no sangue dos justos é passageiro, enquanto o Reino de Cristo permanece para sempre.