São Miguel Arcanjo é, na Sagrada Escritura, o príncipe celeste que defende o povo de Deus. Seu nome significa 'Quem como Deus?', verdadeiro grito de guerra contra todo orgulho que pretende usurpar o lugar do Criador. No Livro de Daniel ele aparece como 'um dos primeiros príncipes' e como 'o grande príncipe que protege os filhos do teu povo', revelado ao profeta na grande visão final como aquele que combate ao lado dos fiéis e que se levantará no tempo do fim, quando haverá uma tribulação como nunca houve, mas também a libertação dos que estão inscritos no livro da vida.
A Tradição da Igreja, fundada também na Carta de São Judas e no Apocalipse, contempla Miguel como chefe da milícia celeste que enfrenta o Dragão, a antiga serpente. No combate descrito por São João, 'Miguel e os seus anjos lutavam contra o dragão', e este foi precipitado por terra com os seus. Por isso a piedade católica o invoca como protetor da Igreja, padroeiro dos moribundos, guardião na hora da provação e adversário de Satanás. Sua intercessão é pedida especialmente contra as ciladas do maligno.
Miguel não vence por força própria, mas em nome de Deus e pela vitória de Cristo, o Cordeiro que venceu pelo seu sangue. Ele é figura da fidelidade angélica que adora o Senhor e serve ao seu desígnio de salvação, anunciando que o combate espiritual, embora real, está sempre orientado à vitória final do Reino. A Igreja o honra junto com Gabriel e Rafael e o invoca em sua oração para que defenda os fiéis no embate contra as forças do mal.