Arão era filho de Anrão e Joquebed, da tribo de Levi, e irmão mais velho de Moisés e de Miriã. Quando Moisés hesitou diante da missão de libertar Israel, alegando não saber falar bem, Deus designou Arão como seu porta-voz: "Ele falará por ti ao povo; ele te servirá de boca, e tu lhe servirás de Deus". Assim, os dois irmãos apresentaram-se juntos diante do faraó, e foi pela mão de Arão que se realizaram vários dos sinais que precederam as dez pragas, como o bastão transformado em serpente.
No caminho do Êxodo, Arão acompanha Moisés em todos os grandes momentos: nas pragas, na instituição da Páscoa, na travessia do Mar Vermelho e na peregrinação pelo deserto. Quando Israel combatia Amalec, Arão e Hur sustentaram os braços de Moisés erguidos em oração até a vitória. No Sinai, porém, conheceu também a fraqueza: cedendo à pressão do povo durante a ausência de Moisés, fundiu o bezerro de ouro, episódio de grave infidelidade que exigiu a intercessão de Moisés e a renovação da Aliança. Apesar dessa queda, Deus o constituiu, com seus filhos, no sacerdócio: Arão foi ungido primeiro sumo sacerdote de Israel, revestido das vestes sagradas, encarregado do serviço da Tenda do Encontro, dos sacrifícios e da intercessão pelo povo, oferecendo o incenso e entrando uma vez por ano no Santo dos Santos. O florescimento de sua vara confirmou diante de todo o Israel a escolha divina de sua casa para o sacerdócio.
A Carta aos Hebreus relê o sacerdócio aaronítico como figura e preparação do único e eterno Sacerdote, Jesus Cristo. O sacerdócio de Arão era hereditário, repetido e incapaz de tirar definitivamente os pecados; o de Cristo, "segundo a ordem de Melquisedec", é único, eterno e perfeito. Assim, em Arão a Igreja contempla a sombra do sacerdócio que se realizaria plenamente em Cristo, único mediador, e que se prolonga no sacerdócio ministerial da Nova Aliança.