Aquior é apresentado no livro de Judite como chefe dos amonitas, membro da coalizão reunida sob o general Holofernes para subjugar Israel. Quando Holofernes pergunta quem é aquele povo das montanhas que ousa resistir, Aquior, com sabedoria e franqueza, faz um longo discurso recordando a história de Israel: como esse povo descende dos caldeus, foi peregrino, desceu ao Egito, foi libertado pela mão poderosa de seu Deus e só pode ser vencido quando peca contra o Senhor (Judite 5,5-21). Sua conclusão é corajosa: enquanto Israel for fiel ao seu Deus, ninguém poderá derrotá-lo.
Essa advertência irrita Holofernes, que zomba do único Deus de Israel e manda entregar Aquior aos israelitas de Betúlia, para que pereça com eles na queda da cidade. Acolhido pelos habitantes de Betúlia, Aquior testemunha em seguida o triunfo de Judite, que decapita Holofernes e devolve a vitória ao povo de Deus. Ao ver com seus próprios olhos a cabeça do general e reconhecer que tudo se cumpriu como ele havia anunciado, Aquior crê firmemente no Deus de Israel, faz-se circuncidar e agrega-se para sempre à casa de Israel (Judite 14,10). Sua figura é, na Tradição, um belo exemplo de gentio que reconhece a verdade e se converte, prefigurando a entrada dos pagãos na fé do único Deus, plenamente realizada em Cristo, no qual judeus e gentios se tornam um só povo.