Ananias e Safira eram um casal pertencente à primeira comunidade cristã de Jerusalém, nos dias seguintes a Pentecostes, quando os fiéis viviam unidos de coração e punham seus bens em comum, de modo que ninguém entre eles passasse necessidade. Movidos pelo exemplo de homens como Barnabé, que vendiam suas propriedades e depunham o produto aos pés dos Apóstolos, também eles venderam um terreno, mas combinaram entre si reter parte do preço, apresentando o restante como se fosse o total.
O pecado do casal não estava em reter parte do dinheiro, pois o bem era seu e podiam dispor dele como quisessem, mas na mentira e na hipocrisia diante de Deus e da Igreja. Pedro denunciou que, ao enganar os Apóstolos, Ananias mentira não aos homens, mas ao Espírito Santo. Ao ouvir essas palavras, Ananias caiu morto, e horas depois sua esposa Safira, igualmente cúmplice da mentira, teve o mesmo fim. Grande temor apoderou-se de toda a Igreja e de todos os que ouviram tais coisas.
Este episódio severo revela a santidade que Deus exige de sua Igreja, nascente templo do Espírito Santo, onde a verdade e a sinceridade do coração são inseparáveis da comunhão dos bens. A morte do casal é um sinal solene de que a vida nova em Cristo não admite duplicidade, e que mentir à comunidade dos fiéis é mentir ao próprio Espírito que nela habita.
