Amós foi um dos profetas menores, originário de Tecoa, pequena localidade de Judá, ao sul de Jerusalém. Não pertencia às escolas proféticas nem era profissional do ofício; era pastor de ovelhas e cultivador de sicômoros, e ele mesmo declara que foi arrebatado pelo Senhor de detrás do rebanho para profetizar (Am 7,14-15). Embora fosse do reino do sul, Deus o enviou ao reino do norte, Israel, durante o próspero reinado de Jeroboão II, no século VIII a.C.
Em meio à riqueza e à falsa segurança religiosa daquele tempo, Amós ergueu uma voz potente em defesa da justiça. Denunciou sem rodeios a opressão dos pobres, a venda do indigente por um par de sandálias, a corrupção dos tribunais e o luxo dos poderosos que esmagavam os necessitados, advertindo que nenhum culto, por mais solene, agrada a Deus quando se despreza o irmão. Sua mensagem culmina no apelo: "Corra, porém, o direito como água, e a justiça como torrente perene" (Am 5,24). Anunciou o castigo, mas também a esperança de uma restauração futura, profetizando que Deus levantaria de novo a tenda caída de Davi - palavra que os Apóstolos, no Concílio de Jerusalém, reconheceram cumprida em Cristo e na entrada dos povos na Igreja.
