Agar é uma serva egípcia da casa de Sara, esposa de Abraão. Diante da prolongada esterilidade de Sara, esta a entrega a Abraão como concubina, segundo um costume da época, para que dela se levantasse descendência. Agar concebe e gera Ismael, mas, sentindo-se superior à senhora, é maltratada e foge para o deserto. Ali o Anjo do Senhor a encontra junto a uma fonte, ordena-lhe que volte e anuncia que sua descendência será numerosíssima. Comovida por ser vista e socorrida por Deus em sua aflição, Agar dá ao Senhor um nome tocante: El-Roi, o Deus que me vê (Gn 16,13). É um dos raros momentos em que uma pessoa, e ainda uma estrangeira humilde, dá um nome a Deus a partir da experiência de ser amparada.
Mais tarde, após o nascimento de Isaque, o filho da promessa, Agar e Ismael são despedidos da casa de Abraão. No deserto de Bersabéia, esgotada a água, ela deita o menino sob um arbusto e afasta-se para não vê-lo morrer; mas Deus ouve o choro do menino, abre os olhos de Agar para um poço e renova a promessa de fazer de Ismael uma grande nação (Gn 21,14-21). Agar permanece, assim, testemunha da misericórdia divina que não despreza os pobres, os escravos e os abandonados.
São Paulo, na Carta aos Gálatas, faz uma leitura alegórica dessas figuras: Agar representa a antiga aliança, a escravidão da Lei e a Jerusalém terrestre, enquanto Sara figura a aliança da promessa, a liberdade e a Jerusalém do alto, mãe dos cristãos (Gl 4,21-31). Por essa imagem, a Igreja entende que os filhos da promessa não são escravos, mas livres pela graça de Cristo.
