No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, coroou sua obra formando o homem do pó do solo e soprando em suas narinas o sopro da vida (Gn 2,7). Adão — cujo nome evoca o "adamah", a terra de que foi tirado — é o primeiro homem, feito à imagem e semelhança de Deus, chamado a cultivar e guardar o jardim do Éden. Diferentemente de todas as demais criaturas, recebeu a dignidade de ser interlocutor de Deus, de dar nome aos animais e de receber, como dom inefável, uma companheira: "Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2,18). Da costela de Adão Deus formou Eva, e o homem reconheceu nela "osso de meus ossos e carne de minha carne", inaugurando o matrimônio querido por Deus desde a origem.
O Senhor confiou a Adão um único mandamento, sinal de sua liberdade e da confiança devida ao Criador: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas, seduzido pela serpente por meio de Eva, Adão estendeu a mão e comeu, preferindo a promessa enganosa de ser "como Deus" à obediência amorosa ao seu Criador (Gn 3,5-6). Naquele instante entraram no mundo a vergonha, o medo e a fuga: os primeiros pais esconderam-se de Deus, e a harmonia original entre o homem e Deus, entre os esposos, e entre o homem e a criação foi ferida. Por esse pecado, transmitido a toda a sua descendência, a humanidade conheceu o sofrimento, o trabalho árduo e a morte (Gn 3,16-19).
Contudo, no próprio momento da condenação, Deus não abandonou o homem: anunciou o Protoevangelho, a primeira promessa de salvação, dizendo à serpente que a descendência da mulher lhe esmagaria a cabeça (Gn 3,15). Adão, embora expulso do paraíso, recebeu de Deus vestes e foi conservado na vida; gerou filhos, entre eles Caim, Abel e Set, e tornou-se o pai de toda a humanidade. A Tradição vê nesse gesto divino a ternura de um Pai que, mesmo punindo, já preparava o caminho da redenção.
São Paulo ensina que Adão é "figura daquele que devia vir" (Rm 5,14): assim como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, pela obediência de um só — Jesus Cristo, o novo Adão — todos são constituídos justos (Rm 5,19). Cristo, nascido de Maria, a nova Eva, vem reparar a queda do primeiro homem. O sono de Adão, do qual nasce a esposa, é figura do sono da morte de Cristo na cruz, de cujo lado aberto brota a Igreja, sua Esposa, no sangue e na água dos sacramentos.
A história de Adão nos recorda nossa grandeza e nossa fragilidade: fomos feitos do pó, mas destinados à vida com Deus. Cada um de nós carrega em si a herança da queda, mas também a esperança da redenção. Como Adão, somos tentados a desconfiar de Deus e a querer ser senhores absolutos de nós mesmos; como filhos do novo Adão, somos chamados à obediência confiante e amorosa que nos devolve o paraíso perdido.
