Acaz foi rei de Judá no século VIII a.C., filho de Jotão e descendente da casa de Davi. As Escrituras o apresentam como um governante infiel, que se afastou dos caminhos de seus pais e imitou a idolatria dos reis de Israel, chegando ao ponto de fazer passar seus filhos pelo fogo, segundo as práticas abomináveis dos povos pagãos. Seu reinado foi marcado pela ameaça da coalizão entre Israel e a Síria, que pretendiam destronar a dinastia davídica.
Foi nesse contexto de medo que o profeta Isaías se apresentou a Acaz, em nome do Senhor, oferecendo-lhe um sinal para fortalecer sua fé: que pedisse um prodígio, fosse nas profundezas do abismo ou nas alturas do céu. Acaz, porém, sob aparência de piedade, recusou tentar o Senhor, mascarando com falsa religiosidade a decisão já tomada de buscar socorro humano, aliando-se a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, em vez de confiar em Deus. Diante dessa incredulidade, o próprio Senhor anunciou o sinal: 'Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel', isto é, Deus-conosco.
Assim, a infidelidade de Acaz tornou-se a ocasião providencial para uma das mais luminosas profecias messiânicas. O sinal recusado pelo rei descrente atravessou os séculos e a Igreja o reconhece plenamente cumprido no nascimento virginal de Jesus Cristo, o verdadeiro Emanuel, gerado pela Virgem Maria. A história de Acaz adverte que a falta de confiança em Deus conduz a alianças ruinosas, mas que o Senhor não deixa de cumprir suas promessas, mesmo através da fraqueza humana.
