Acab foi rei do reino do Norte, Israel, filho e sucessor de Onri, reinando cerca de vinte e dois anos a partir de Samaria. A Escritura o apresenta como um dos reis mais ímpios, que fez o mal aos olhos do Senhor mais do que todos os que o precederam. Sua falta mais grave foi o casamento com Jezabel, princesa fenícia de Sidônia, que introduziu em Israel o culto idolátrico a Baal e a Aserá, erguendo altares e templos ao falso deus e perseguindo de morte os profetas do verdadeiro Deus.
Foi sob o reinado de Acab que se ergueu a figura do profeta Elias, seu principal adversário espiritual. Por causa da apostasia do rei, Deus enviou uma seca prolongada sobre a terra, e no Monte Carmelo Elias confrontou os profetas de Baal, demonstrando diante de todo o povo quem era o Deus verdadeiro. Acab, porém, permaneceu instável, ora cedendo à voz dos profetas, ora deixando-se dominar por Jezabel e pela cobiça. O episódio da vinha de Nabote revela o fundo de sua alma: para satisfazer um capricho, consentiu na trama de sua mulher, que mandou assassinar injustamente o proprietário.
Após esse crime, Elias anunciou a Acab a condenação de sua casa. Diante da sentença, o rei rasgou as vestes, cobriu-se de saco e jejuou, humilhando-se de tal modo que o próprio Deus, vendo seu arrependimento, adiou o castigo para os dias de seu filho. Esse breve gesto de penitência, ainda que não convertesse plenamente sua vida, mostra que mesmo aos pecadores endurecidos a misericórdia divina oferece tempo de conversão. Acab acabou morrendo em batalha contra os sírios, cumprindo-se a palavra profética. Sua história permanece como advertência sobre os perigos da idolatria, da fraqueza moral e da cobiça nos que exercem o poder.
