Acã, filho de Carmi, da tribo de Judá, é lembrado no livro de Josué como o transgressor do anátema na conquista de Jericó. Quando a cidade foi tomada de modo prodigioso, ao som das trombetas e da fé do povo, Deus havia ordenado que tudo fosse consagrado à destruição como primícias da conquista da Terra Prometida, sem que ninguém se apropriasse do que era votado ao Senhor. Acã, porém, cedeu à cobiça e tomou um belo manto da Babilônia, prata e uma barra de ouro, escondendo-os sob sua tenda (Josué 7,21). Por esse pecado oculto, a ira de Deus recaiu sobre todo Israel, e o exército, presumindo de suas próprias forças, foi vergonhosamente derrotado na pequena cidade de Aí, com a morte de cerca de trinta e seis homens.
Prostrado em oração, Josué soube por Deus que havia pecado no meio do povo, e por sorteio chegou-se até Acã, que confessou sua falta. Ele e tudo o que lhe pertencia foram levados ao vale de Acor, onde foram apedrejados e queimados, e o lugar recebeu esse nome, que significa "perturbação" (Josué 7,26). O episódio, severo aos olhos modernos, ensina à luz da Tradição a gravidade do pecado e a solidariedade no bem e no mal dentro do povo de Deus: a falta de um só compromete a comunidade inteira. Anuncia também, por contraste, a misericórdia da Nova Aliança, na qual o profeta promete que o próprio vale de Acor, lugar de castigo, se tornará porta de esperança (Oseias 2,17), pois em Cristo o pecado é vencido e a comunhão restaurada.