Abrão, filho de Taré, era originário de Ur dos Caldeus e depois habitou em Harã, casado com Sarai, que era estéril (Gn 11,27-31). Nesse contexto de uma humanidade dispersa após Babel, Deus o escolheu e lhe dirigiu o chamado fundante de toda a história da salvação: "Deixa a tua terra, a tua parentela e a casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei" (Gn 12,1). A essa ordem juntou-se a promessa de fazer dele uma grande nação e de nele abençoar todas as famílias da terra. Abrão partiu, confiando na palavra de Deus sem conhecer o destino, e por isso é celebrado como o pai dos crentes.
Deus selou com ele uma aliança, mudou seu nome para Abraão, "pai de uma multidão", e prometeu-lhe uma descendência tão numerosa quanto as estrelas, ainda que ele e Sara fossem idosos e sem filhos. A fé de Abraão alcançou seu ápice quando, obediente, dispôs-se a oferecer em sacrifício seu filho Isaac, sendo então impedido por Deus, que lhe forneceu um cordeiro substituto no monte Moriá (Gn 22) — episódio que a Tradição lê como figura do sacrifício do Filho. "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Gn 15,6), palavra que São Paulo retomará para mostrar que a salvação se recebe pela fé.
A Igreja reconhece em Abraão "nosso pai na fé", invocado no cânon da Missa, e contempla nele a raiz do povo eleito do qual nasceria, segundo a carne, Jesus Cristo. As promessas feitas ao patriarca encontram seu cumprimento pleno em Cristo, descendência de Abraão na qual todas as nações são abençoadas, e os crentes de todos os povos tornam-se, pela fé, verdadeiros filhos de Abraão (Gl 3,7-9).
