Abimelec foi filho de Gedeão (também chamado Jerubaal) com uma concubina da cidade de Siquém, no período dos Juízes. Ambicioso e cruel, aproveitou-se dos laços com a família materna em Siquém para angariar apoio e, financiado com prata tomada do templo de Baal-Berit, contratou homens violentos. Com eles, dirigiu-se à casa de seu pai e matou sobre uma única pedra os setenta filhos de Gedeão, seus meios-irmãos, escapando apenas o mais novo, Jotão, que se escondera. Em seguida, fez-se proclamar rei em Siquém, tornando-se uma sombria antecipação da realeza usurpada e sem mandato divino.
A traição, porém, voltou-se contra ele. Jotão, do alto do monte Garizim, proferiu uma parábola sobre as árvores que buscavam um rei, denunciando a iniquidade do crime e profetizando a discórdia que devoraria tanto Abimelec quanto os homens de Siquém. Cumprindo-se essa palavra, surgiu a inimizade entre Abimelec e a cidade, e em meio às guerras que se seguiram, ao atacar a torre de Tebes, uma mulher lançou de cima uma pedra de moinho que lhe esmagou o crânio. Para não morrer pela mão de uma mulher, pediu a seu escudeiro que o traspassasse com a espada. Sua morte revelou a justiça de Deus, que retribui o mal aos malfeitores, lembrando que todo poder erguido sobre o sangue inocente está condenado à ruína.