Abel foi o segundo filho de Adão e Eva, irmão mais novo de Caim, e o primeiro pastor mencionado nas Escrituras. Nascido após a expulsão do paraíso, ele pertence à aurora da humanidade, quando os homens começavam a oferecer a Deus os frutos de seu trabalho. Enquanto Caim cultivava a terra, Abel apascentava os rebanhos, e dele ofereceu ao Senhor os primogênitos e as melhores partes, num gesto que brotava de um coração reto e cheio de fé.
Deus olhou com agrado para Abel e sua oferta, mas não para Caim e a sua, não por arbitrariedade, mas porque a Sagrada Escritura ensina que foi pela fé que Abel ofereceu sacrifício mais excelente. Tomado pela inveja e pelo rancor, Caim ergueu-se contra o irmão no campo e o matou, derramando o primeiro sangue inocente da história humana. O sangue de Abel clamou da terra ao Senhor, tornando-o o protótipo do justo perseguido e do mártir.
A Tradição da Igreja vê em Abel uma das mais antigas figuras de Cristo. Pastor justo, oferta agradável a Deus, vítima inocente morta pela inveja de seu próprio povo, ele prefigura o Cordeiro de Deus entregue à morte. A Carta aos Hebreus proclama que o sangue de Jesus 'fala melhor do que o de Abel', pois, enquanto o sangue de Abel clamava por justiça, o sangue de Cristo clama por misericórdia e reconciliação. Por isso o próprio Senhor chamou Abel de justo, e a Igreja o invoca na oração eucarística entre os que ofereceram sacrifício santo e agradável.
